O Radialista Tabosa Filho (foto), Coordenador de programação da Rádio Guanacés AM, recebeu em sua residência no Sítio Frade (Arena Verde), na manhã do último domingo(09), e ofereceu um almoço a todos os dirigentes de equipes esportivas do município de Itapajé, onde aconteceu o I Fórum do Esporte Itapajeense, objetivando traçar os novos planos para o esporte municipal. Na ocasião, onde mais de cinqüenta equipes se fizeram presentes, além de um acentuado número de autoridades do Executivo e do Legislativo municipal, o radialista fez uma explanação sobre a realidade esportiva do município, nos trinta últimos anos, e concluiu sua fala propondo um calendário anual de atividades uma convivência harmoniosa entre os clubes e poderes constituídos.
Pronunciamento do cronista esportivo Tabosa Filho, confira:
“Meus Amigos (as), estou na Rádio Guanacés desde sua fundação, quando nos primeiros dias do mês de março de 1991 a emissora passou a operar em caráter experimental. Depois, no dia 05 de maio, veio a autorização para operar comercialmente e no dia 20 de julho do mesmo ano aconteceu a inaugurada oficial. De lá pra cá, de 91 a 2011, já se vão quase vinte (20) anos de muita luta em defesa do povo itapajeense e de nossa micro-região. Nos mais diversos aspectos e, dentre os quais, com bastante destaque, está a difusão e valorização do esporte regional. Podendo-se dizer até que o Departamento Esportivo da Guanacés adotou como missão incentivar, apoiar e promover (quando necessário) a prática de esportes.
É bem verdade que o esporte itapajeense conseguiu duas grandes conquistas antes do advento Guanacés. Em 1981 o Selecionado serrano conquistou o Intermunicipal de futebol, promovido pela APCDEC, e, em 1985 conseguiu o bi-campeonato. Daí por diante a Guanacés atuou como elemento democratizador do esporte regional, quando a partir dalí surgiram várias competições, como Copa da Integração Serrana, Copa da Integração da Zona Centro-Norte (Copa Regional), Campeonato do Mandacaru (Irauçuba), Copão Serrano (Assunção – Itapipoca) e várias outras competições de menor expressão.
Com apoio e cobertura da Guanacés a Seleção de Itapajé sagrou-se campeã da Copa Vale do Curu de 1996 e chegou ao futebol profissional em 1998, depois de obter o vice-campeonato do Intermunicipal de 1997.
Os microfones da Guanacés AM foram utilizados para mobilizar a GALERA na reforma do VIEIRÃO com vistas a primeira incursão do futebol itapajeense no Campeonato Cearense de Profissionais, em 1998, logo depois da criação do Itapajé Futebol Clube.
Com o GALO DA SERRA a Guanacés cruzou o estado do Ceará de norte a sul e de leste a oeste, numa época que nem celular existia e as dificuldades de comunicação eram bem maiores que as de hoje. 98 e 99 foram anos de muito sofrimento no futebol profissional, praticamente não contabilizamos vitórias, foi só aprendizado. Até que em 2.000, com uma gestão participativa, com futebol amador e profissional unidos, imprensa sobrando a favor e um presidente POVÃO, o Itapajé F. C. sagrou-se CAMPEÃO CEARENSE DE FUTEBOL PROFISSIONAL (Segunda divisão). Momentos inesquecíveis foram vividos e o esporte amador em estado de graça com a conquista do profissional, elevando a auto-estima de todos os desportistas itapajeenses.
Nestes anos que marcaram a primeira década de existência da 1.470 khz o Futebol de Salão (hoje FUTSAL) itapajeense teve total apoio da Guanacés, com coberturas simplesmente marcantes, desde o SARAIVÃO (Intermunicipal de 94) à super quadra do Luzardo Viana, em Caucaia, nos jogos CENECISTAS, quando cobríamos e também nós emocionávamos com a geração de ouro do esporte de quadra, lá no final dos anos 90. Sem esquecer um instante se quer a agenda semanal de amistosos da região, unindo Irauçuba, Tejuçuoca, Umirim, São Luis do Curu, Tururu, Uruburetama, Itapipoca e Itapajé n’uma só freqüência, encurtando distancias e integrando uma região inteirinha.
A Guanacés também mandou para os ares do Ceará e do Brasil as emocionantes vitórias do Itapajé F. C. nos anos 2001 e 2002, diante dos FERAS da primeira divisão, Ceará, Fortaleza, Ferroviário, Icasa e Guarany de Sobral.
Como se tudo isso não bastasse e paralelo a tudo isso a Radio do Esporte Itapajeense sempre atuou como elemento de aproximação entre os povos, entre os amantes do bom futebol, como até hoje faz, marcando amistosos, cobrindo torneios e transmitindo emoções.
Algo vem nos incomodando, como amante do futebol, e incomodando muito mais como profissional de imprensa. Falo da ausência de calendário de atividades, que prejudica a todos, e, de modo especial aos que necessitam de planejamento para executar bem suas tarefas, como é o nosso caso.
O patrocínio ao esporte, contemplando Clubes e conseqüentemente a mídia, com um investimento bem planejado e um público alvo bem definido, é hoje uma das melhores formas de divulgação de uma marca, produto ou empresa. Para tanto se faz necessário um mínimo de organização dos interessados. Ora, se os clubes organizados se queixam de que projetos bem elaborados passam anos esperando por analise dos patrocinadores. Imaginemos a nossa realidade, que gastamos nossas energias com disputas desnecessárias, onde perdemos forças e principalmente tempo, nosso maior inimigo, pois quem vivencia o esporte sabe bem, que tempo é ouro e ouro vale muito. Perdemos para nos mesmos, numa disputa sem o menor sentido.
Sinto-me responsável, em parte, pela transformação da GARANTIA depositada na troca de amistosos, pela malfadada COTA DE JOGO. Digo isso porque, fomos forçados pelas circunstâncias, principalmente pela falta de campos para as equipes da sede do município receberem seus jogos. Desde o início desse modelo de agendamento, em 1991, quando foi criado o PROGRAMA SHOW DE BOLA, que fomos obrigados a marcar somente jogos de IDA. Mas, como disse, a responsabilidade não é só minha, é muito mais da ausência de políticas publicas de valorização do esporte ao longo desses 20 anos, como aquisição de campos (Campinhos) e construção de quadras na periferia da nossa cidade. A especulação imobiliária vem “expulsando” os amantes da bola. E nos, apaixonados por futebol, vamos acompanhando, lamentavelmente, e sem nenhuma reação, o desaparecimentos das nossas minguadas praças esportivas, como e o caso do TONIZÃO na Santa Rita, FLORESTÃO e PIÇARRA no bairro do Cruzeiro, CARNEIRÃO no bairro Padre Lima e, já já, se nada for feito, os campos MADEIRÃO e FERROS, que estão cercados de casas dentro da suas respectivas áreas. Casas essas que muito brevemente seus moradores começarão a reclamar por sossego, telhas quebradas e coisas do gênero.
Sem uma instituição (LIGA) forte para representar a categoria e sem a técnica (conhecimento) adequada para superar essas dificuldades, nossos dirigentes vão procurando o caminho (mais fácil) menos trabalhoso para SOBREVIVER esportivamente, através das COTAS, da cobrança de passagens dos atletas e de mais algumas pequenas ajudas financeiras, quando se aproximam as eleições bienais.
Esse modelo de sobrevivência esportiva tem sido ao longo dos últimos vinte anos, o grande responsável pelo enfraquecimento do futebol itapajeense. Nossos clubes (Times) inadvertidamente “gerenciam” o setor financeiro (apenas) arrecadando de seus integrantes, através do pagamento de passagens e inclusive cobrando para que crianças e adolescentes possam jogar, e isso acaba se transformando, no que podemos chamar, de verdadeiro TIRO NO PÉ. Se não vejamos, os garotos (crianças e adolescentes) pagam pra jogar quando o time é mandante de campo, sob alegativa de que precisam pagar a COTA do visitante, e pagam novamente quando viajam, dada a necessidade de alugar um transporte. A COTA do jogo entra como complemento para cobrir tal despesa. O que era GARANTIA virou COTA DE JOGO e o que era prazeroso para crianças e adolescentes virou uma conta a pagar.
E o que é pior, o garoto paga a passagem, paga pra jogar e logo, logo, começa a exigir seus direitos, tem que ser titular, pois está pagando. E a formação do atleta cidadão foi literalmente pra CUCUIA.
O jovem talentoso e de família simples, carente (nosso futuro CRAQUE), sentindo-se explorado, sem dinheiro (sem profissão – nem idade para o mercado de trabalho – sem um ganho), afasta-se do esporte por algum tempo, aplicando o dinheirinho do papai e da mamãe na lan house, depois na sinuca, no baralho e daí em diante, só Deus sabe. É esse o preço da exploração de uma criança.
Quando esse jovem volta (quando volta) ao futebol, lá pelos 17, 18 anos, perdeu quase que totalmente o gosto pela pratica, abandonou a disciplina, o respeito e a identidade com o TIME (CLUBE) que o revelou e a rebeldia, própria da adolescência, está muito mais difícil de ser trabalhada.
Reagrupar tais atletas não é tarefa fácil, mas, vamos tentando, aos trancos e barrancos. Comprometendo decisivamente o surgimento de novos dirigentes, de novos árbitros, de novos cronistas, de novos torcedores e principalmente de PATROCINADORES.
Fonte: Rádio Guanacés

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