3 de mai. de 2013

Havelange pede para sair

O brasileiro João Havelange não é mais presidente honorário da FIFA. O cartola entregou sua carta de renúncia ao cargo no dia 18 de abril, mas o anúncio só foi feito no dia 19 de abril pela entidade máxima do futebol. A saída é estratégica. O relatório do Comitê de Ética da FIFA, comprovou que João Havelange, Ricardo Teixeira e Nicolás Leoz receberam propinas relacionadas a venda de direitos de transmissão para a Copa de 2002 e 2006. Com a renúncia, João Havelange evita a punição de ser expulso da entidade máxima do futebol mundial. Pelo mesmo motivo, ele também já havia deixado o COI (Comitê Olímpico Internacional). Ricardo Teixeira, que deixou a FIFA e a CBF no final do ano passado, e Nicolás Leoz, que renunciou ao cargo de vice-presidente na entidade máxima e também à presidência da Conmebol na semana passada, também fogem de punições. Os três cartolas receberam milhões de dólares em propinas entre 1992 e 2000 da empresa ISL por conta da negociação da venda de direitos de transmissão para a Copa de 2002 e 2006. O relatório divulgado não fala de valores que os dois teriam recebido, mas uma denúncia da BBC diz que João Havelange e Ricardo Teixeira embolsaram cerca de R$ 45 milhões. “Do dinheiro que foi repassado pela ISMM/ISL, é certo que uma quantia considerável foi canalizada para o ex-presidente da FIFA, João Havelange, e para o seu genro Ricardo Teixeira e também para Nicolás Leoz sem que haja indícios de que tenha havido nenhum serviço em compensação. Esses pagamentos foram aparentemente feitos através de empresas de fachada para encobrir o verdadeiro destinatário e devem ser classificados como ‘comissões’, conhecidas hoje como ‘subornos’, aponta o relatório. Quem se livra de qualquer denúncia é Joseph Blatter, atual presidente da FIFA. "Não há indicações de que Blatter tenha recebido qualquer comissão da ISL. Também não há indicações de que Blatter esteja envolvido nos pagamentos a João Havelange, Ricardo Teixeira e Nicolás Leóz", aponta o relatório. “O que pode ser questionado é se Blatter sabia ou deveria saber que a ISL fez pagamentos a membros da FIFA durante os anos que estava falindo. Mas a conduta do presidente Joseph Blatter não poderia ser classificada de forma alguma como má conduta no que diz respeito aos códigos de ética. A conduta de Joseph Blatter pode ter sido desajeitada, mas não foi criminosa ao antiética”, completa.

Já uma petição com 50 mil assinaturas em favor da saída do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, foi protocolada em Abril, na sede da entidade, no Rio de Janeiro. O documento foi entregue pelos deputados Romário (PSB-RJ) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ), acompanhados de Ivo Herzog, filho do jornalista Vladimir Herzog, morto pela ditadura aos 38 ano. Romário, principal desafeto de Marin no Congresso, quer que o cartola seja investigado, entre outras suspeitas, por eventual participação na morte de Herzog, em 25 de outubro de 1975, quando o então diretor de Jornalismo da TV Cultura estava em poder de órgãos de repressão em São Paulo. Romário disse que ele e Jandira sequer foram recebidos pela direção da entidade. “Não fomos recebidos por nenhum membro da diretoria da CBF, mas protocolamos nosso pedido com mais de 50 mil assinaturas”, reclamou o deputado na rede social twitter. A petição “Fora, Marin”, tinha os dizeres “Mais de 50 mil pessoas pedem o seu desligamento por ser ligado à ditadura”. Nos últimos meses, o ex-jogador de futebol tem intensificado sua cruzada contra José Maria Marin, governador de São Paulo entre 1982 e 1983, quando o Brasil vivia os últimos momentos do regime militar. Além de defender investigações policiais contra Marin, Romário tenta emplacar a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar as ações do presidente da CBF – requerimento nesse sentido já está protocolado desde 5 de dezembro. Em entrevista ao Congresso em Foco em novembro do ano passado, ele condenou a atuação de deputados que não querem a CPI. “A bancada da bola não pode mais apoiar sacanagem, corrupção, falcatrua”, disse. Romário, que não costuma fazer discursos de plenário, há 20 dias subiu o tom das críticas contra Marin na tribuna da Câmara, quando disse que “lugar de ladrão é na cadeia”. Em outra ofensiva, ele postou em rede social um áudio de conversa em que o presidente da CBF parece ameaçar interlocutores não identificados. “Ele é ladrão, a gente sabe que ele roubou uma medalha. O último roubo dele foi de energia do seu vizinho. Então uma pessoa dessa não tem condições psicológicas de comandar uma instituição que é a CBF, principalmente em anos tão importantes como este da Copa das Confederações e próximo ano da Copa do Mundo”, bradou Romário, recém-eleito presidente da Comissão de Turismo e Desporto. Romário se referia a dois episódios recentes de Marin. O primeiro, na final da Copa São Paulo de Futebol Júnior 2012, quando câmeras de televisão flagraram o então vice-presidente da CBF colocando no bolso uma das medalhas da premiação. O mais recente é um “gato” em que Marin, de acordo com reportagem do jornal Folha de S. Paulo, é descoberto desviando energia elétrica de um vizinho.

Nenhum comentário:

Postar um comentário